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Barraca ou guarda-sol?

 

O jornalista Felipe Frisch diz que escreveu um livro no celular. Durante 12 anos entre São Paulo e Rio, mudando de uma para outra em função do trabalho e da família, ele foi anotando um “tratado cômico-antropológico” das diferenças destes dois mundos. Algumas de suas observações divertidas compartilhou nas redes sociais. E, quando viu, estava diante de acaloradas discussões que mostravam o potencial de se investigar e investir mais nesta rivalidade. Com as histórias que reuniu, um manual de sobrevivência para cariocas em São Paulo e paulistanos no Rio foi se desenhando. E o está lançando agora pela editora Matrix. “É um livro de humor, caso os leitores concordem, mas com muita apuração. Há também o resultado de uma pesquisa em que 520 pessoas responderam sobre qual a melhor cidade.”

“Ponte-Aérea” trata desde a questão dos táxis, do atendimento, das características gastronômicas até como encontrar um imóvel em cada uma das duas cidades. E traz um alentado dicionário de “carioquês” e “paulistanês.” O lançamento em São Paulo será na terça-feira, 8 de março, na Livraria da Vila ( Vila Madalena). Ah, o moço é carioca, trabalha e mora em São Paulo por opção. Vai aos fins de semana para o Rio, mas não todos. Não é um exilado, nem um renegado. Aproveita o melhor e o pior de cada uma.

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“Ponte-Aérea” será lançado no dia 8 de março na livraria da Vila, em São Paulo: R$ 39,90

Uma amostrinha do dicionário:

Cê-Ê-Tê: a Companhia de Engarrafamento de Tráfego paulistana. Cariocas acham graça quando ouvem a sigla pela primeira vez, acostumados a chamar sua equivalente CET-Rio de “sétirriu”. Um dos primeiros sintomas de conversão do carioca é quando ele tenta pronunciar a sigla, sem sucesso, e fala “cê-É-tê”. À semelhança do que ocorre quando eu tento falar “bolacha” e, logicamente, sai “bulacha”. Os passos seguintes são: chamar refrigerante de “refri”, falar “balada”, “bolacha”, “trampo”, “meu”, “sossegado”, “bosta” como se fosse palavrão e “puta” como advérbio.

Barraca: o que os cariocas usam na praia. Pode ser chamada pelo nome completo, “barraca de praia”, embora seja apenas um tecido redondo esticado sobre um pau de madeira, com algumas hastes de metal enferrujado. Paulistanos que ouvem a expressão pela primeira vez acham que o carioca que a pronunciou está indo acampar. Dica para os amigos paulistanos em visita ao Rio: se você pedir um “guarda-sol” quando chegar na areia, pagará pelo menos três vezes o valor a ser despendido se conseguir falar “barraca” espontaneamente com a malemolência carioca.