Bodega Garzón

O bilionário do petróleo Alejandro Bulgueroni, que ao lado do irmão Carlos tem a maior fortuna da Argentina com US$4,7 bilhões, estava ali à distância de um tapinha nas costas. Era um esforço de marketing, com sorrisos controlados, para promover o lançamento oficial da Bodega Garzón no Uruguai. Fica numa área de 2,2 mil hectares que comprou em 1999, localizada próxima a Punta del Este, La Barra e José Ignácio. Ali, ele primeiro começou o cultivo de amêndoas e de azeitonas. O projeto do azeite, por exemplo, envolve desde um restaurante com consultoria de Francis Mallmann, degustações e um programa turístico, como passeios de balão e bicicletas para avistar oliveiras. Os brasileiros já são os principais visitantes.

O restaurante para receber visistantes

O restaurante para receber até 120 visistantes

Para a inauguração da bodega, Bulgheroni convidou representantes comerciais, especialistas e jornalistas de vários países. Ele se tornou um grande investidor no mercado de vinhos com propriedades em vários países. Tipo: Vistalba na Argentina; Dievole e Bolgheri, na Itália; Château Suau, na França; Renwood, nos Estados Unidos, entre outras. Mas a Garzón ele começou do zero, numa área pioneira e com um aporte até agora de U$85 milhões. “Não foi fácil tomar a decisão. Era um investimento de altíssimo risco. Tínhamos de considerar o solo, o vento. Não havia vinho na região. Se não conseguíssemos boas uvas, não teríamos bons vinhos .” Mas  quanto que o vinho já representa do seu negócio hoje? “Prefiro nem pensar”, disse e sorriu.

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As parcelas recortadas dos 200 hectares plantados

O winemaker que tem trabalhado no projeto é Alberto Antonini, que já está atuando com o investidor em outras vinícolas. “É um grande desafio fazer um vinho premium numa área a ser criada. Mas tenho 35 anos trabalhando com isso. Aqui temos um solo de grande drenagem, a influência do oceano. Fizemos muitas pesquisas e queríamos interferir o mínimo possível na paisagem. Foi preciso um profundo entendimento do lugar”, diz Antonini. São 200 hectares plantados desde 2007 em mil pequenas parcelas, como uma grande colcha de retalhos cobrindo os morros. Testaram diversas variedades. Mas a Tannat e Albariño são as de maior destaque. A primeira com 50% da área de cultivo. E a segunda com 30%. Sua aposta nesta cepa branca foi porque identificou ali muitas similaridades com a  Galícia.

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A entrada da Bodega: projeto sustentável com certificação LEED

A filosofia de Antonini para fazer o vinho segue os “rumos da sustentabilidade” e o processo de produção busca a “menor interferência possível”.  “Não quero um solo morto como outras vinícolas no mundo. É muito triste. Solo morto significa comida morta.” Ele garante não ter usado leveduras artificiais porque “less is more.”  Além de fazer vinhos de reconhecimento internacional, o winemaker também quer melhorar a imagem da Tannat no mundo. Mas não só para fazer do Uruguai a terra da Tannat. “O Chile mostrou que faz vinhos incríveis. E a Argentina quer provar que é mais que Malbec. Queremos projetar o Uruguai como um país de vinhos.”

A vista dos vinhedos: uma colcha de retalhos nos morros

A vista dos vinhedos: uma colcha de retalhos nos morros

Em breve o lugar terá um hotel. Depois condomínios residências e áreas compartilhadas para quem quiser fazer seu próprio vinho. O campo de golfe particular de Bulgheroni fará parte do clube que será instalado lá. Como é comum aos magnatas, sua preocupação é com a longevidade. Tem 72 anos e sabe que vinho é um projeto de longo prazo. “Mas, ao mesmo tempo, é semelhante ao negócio de petróleo porque você precisa descobrir novas áreas, corre riscos e pensa no futuro.” De qualquer forma, como um lembrete a quem chega, seu retrato, ao lado da mulher Bettina, está espalhado pela propriedade.

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Bulgheroni tem outros investimentos em vinho na Argentina, Itália, França e Estados Unidos

A World Wine, importadora de vinhos premium do grupo La Pastina, traz os azeites Colinas de Garzón para o Brasil há três anos. Custam R$48 ( 500 ml). Tem também o portfólio completo da bodega, mas disponíveis hoje estão o Garzón Tannat Reserva 2o12 por R$165; o Albariño 2014 R$90,20, o Sauvignon Blanc 2014 Por R$90,20 e o Garzón Pinot Grigio 2012 por R$ 90,20.  O Garzón Tannat 2013 já esgotou. “A marca está indo muito bem. São mais de duas mil garrafas vendidas por mês”, diz Juliana La Pastina, diretora de marketing da World Wine.

 

** Viajei a convite da Bodega Garzón e da World Wine