Cerveja corrida

**Ok não ter barriga tanquinho, mas o que você está fazendo por sua capacidade cardiorrespiratória?  Como você está cuidando da cabeça e do seu sono? E a pergunta crucial: o que você está colocando no seu prato ou no copo?

A alimentação se tornou também uma demonstração de status. Uma investigação da Kantar nos Estados Unidos mostrou que 67% dos millennials concordam que a “comida que compro diz muito sobre quem eu sou como pessoa”, versus 59% da geração X e 54% dos Baby Boomers. Seria uma das razões pela qual  compartilham loucamente fotos de pratos e bebidas pelo Instagram.

Consumir couve orgânica, e compartilhar nas redes sociais, por exemplo, pode ser um “identificador, um sinal de educação, de cultura e de renda”, disse Eve Turow ( e que recebeu destaque da Kantar) em um livro em que trata deste fenômeno cultural e no qual destaca o interesse desta geração por alimentos orgânicos, chefs e microcervejarias.

A comida traduz, assim, um estilo de vida. E é também uma experiência. As pessoas estão mais atentas ao que comem, investigando nutrientes e rótulos e compartilhando receitas.

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Uma pesquisa realizada pela Kantar no Brasil revelou que 79% dos entrevistados estavam colocando alimentos mais saudáveis no carrinho de compras.  O consumo de leite sem lactose cresceu, assim como o açúcar demerara e o azeite. Os participantes também disseram que passaram a caminhar mais, correr ou frequentar academia.

Para Alessandra Luglio, especializada em nutrição esportiva, mudar a alimentação é um “gatilho para adotar um novo estilo de vida.” “As pessoas podem chegar com uma queixa específica de gastrite ou excesso de peso. Muitas vezes decorrentes do stress, da falta de tempo e do sedentarismo. Ao combinar a dieta mais natural possível com atividade física não só resolvemos um problema, como criamos condições positivas para uma nova fase da vida.”

O desafio para a nutricionista hoje é desmistificar certas crenças desta safra de pacientes cada vez mais “sabidos”. “As pessoas já chegam dizendo que não podem comer isso ou aquilo porque sabem que tal alimento funciona de tal forma e qual vai ser o resultado. Meu trabalho é mostrar que um alimento sozinho não faz efeito e propor uma alimentação mais natural adequada a cada indivíduo que também possa, ao mesmo tempo, proporcionar prazer.”

Nesse processo, o paciente descobre que um filé de frango solitário não vira músculo. Assim, como uma cervejinha não precisa ser banida da dieta. “A cerveja está associada a um momento de prazer e a socialização. É uma bebida natural, feita a partir de grãos e do lúpulo. É refrescante. Além disso, tem mais benefícios nutricionais que refrigerantes e estes sucos de caixinha, por exemplo, em que a fruta é tão diluída.”

Na Europa, por exemplo, a cerveja sem álcool é oferecida nas academias ao lado de refrigerantes e isotônicos.  Não por acaso. Além do empenho das fabricantes em fazer a associação de cerveja não alcóolica e atividade física, há estudos promovidos pela academia.

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Uma pesquisa realizada com maratonistas pela universidade de Munique, em 2009, mostrou que o grupo que consumiu por dia um litro da bebida durante três semanas, teve redução no quadro de inflamação muscular de início tardio ( que acomete o atleta um dia depois da prova) e a diminuição da incidência de gripes ( há uma baixa imunológica transitória em esportes que exigem alto desempenho) após a corrida.

Para a nutricionista, por seus nutrientes, a cerveja sem álcool pode ser uma opção prazerosa, sem preconceitos, para amadores e atletas. “É hidratante e rica em sais minerais. Repõe, por exemplo, eletrólitos que são perdidos com o suor.  Tem antioxidantes que ajudam a eliminar as toxinas no interior da célula, o que auxiliam na recuperação muscular.” Basta, portanto, o cidadão gostar de cerveja.

**Este post faz parte de um projeto de consultoria para Somos Todos Cervejeiros

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