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**Quando se descobre que seu irmão de 40 anos anda recheando a geladeira com versões de cerveja com e sem álcool, é de se estranhar. Promessa? Idade? Dieta? Durante a semana, explicou-me, era bom dar uma maneirada nas calorias, em especial depois de voltar da academia. Só que sem abrir mão do “happy hour doméstico”. Não lhe apetecia algo doce, como um refrigerante, para acompanhar sua inseparável porção de amendoim. Ele precisava alinhar o sabor da cerveja à manutenção de peso e à rotina de trabalho.

Pois bem, na Alemanha as cervejas sem álcool ( até 0,5%) ou com baixo teor alcóolico (até 3%), categorizadas na Europa como NABLAB (Non Alcoholic Beers-Low Alcohol Beers),  representaram 43% do total vendido da bebida em 2015, segundo uma pesquisa da Euromonitor. O mercado alemão dispõe de 11 rótulos relevantes nesta classificação à venda. No ano passado esta categoria cresceu 6,6% por lá.

Na Espanha, mesmo com cinco rótulos de destaque, este percentual foi parecido: 42% de share para as NABLAB em 2015, o que significou um crescimento de 6,9% em relação a 2014. A previsão para o país, contudo, é que em cinco anos o volume de vendas destas cervejas suba 14,3%. Nos países da Europa Ocidental, o volume total vendido aumentou 4,5% no ano passado.

Uma das razões é que já há alguns anos fabricantes europeus passaram a incentivar novos hábitos de consumo de cerveja sem álcool como, por exemplo, sendo uma opção de hidratação depois das práticas esportivas. Hoje, o conceito parece estabelecido uma vez que em academias a bebida figura nas geladeiras ao lado de isotônicos e água.

As indústrias cervejeiras europeias também ampliaram a oferta de produtos para além das pilsens e american light larges. Há weiss, indian pale ale, sem álcool. As weizenbeers não-alcóolicas são um sucesso na Alemanha, por exemplo. Por serem “nutritivas” ( feitas de trigo, né?) e “refrescantes”, se tornaram atraentes na hora do almoço, para quem está no intervalo do expediente.

O mesmo cenário estaria se desenhando no Brasil? Pelo dados de mercado, há um maior interesse do consumidor pelo produto. O consumo da opção sem álcool cresceu 5% nos últimos cinco anos, segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil).  Representa 1% do volume nacional, ou o equivalente a 137 milhões de litros por ano.

Há uma disposição maior do consumidor em investigar o que come e o que bebe, em busca de ingredientes que lhe tragam benefícios e bem estar. Esse desejo por saudabilidade e funcionalidade pode ser traduzido por aqui pela ascensão súbita de alguns alimentos que já estavam disponíveis no mercado, como a batata doce, por exemplo. Ela tem carboidratos que ajudam a dar energia e, portanto, aumentar a massa muscular, mas ao mesmo tempo, com baixo índice glicêmico, ou seja, sem elevar o nível de açúcar. A batata doce voltou “ressignificada” na dieta dos atletas e de consumidores em geral.

O raciocínio também vale para os alimentos e bebidas processados. Quais têm ingredientes naturais em sua composição e fazem sentido entrar na cesta de compra? De uma forma geral, a cerveja tem propriedades antioxidantes, por causa do lúpulo, que servem de proteção cardiovascular. A versão sem álcool, segundo os especialistas, harmoniza com a dieta mediterrânea, a mais saudável para o coração. E tem 19 calorias em 100 mls ( a alcóolica em média fica em 45kcal). (saiba mais em http://www.angelaklinke.com.br/2016/11/29/2421/)

A cerveja não-alcóolica tem repertório para deixar de ser uma não-bebida e ganhar espaço na vida dos brasileiros. Mas, claro, vai depender também da variedade ofertada nas prateleiras. E o quão sedutoras serão.

**Este post é resultado de um projeto de consultoria da Somos Todos Cervejeiros

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