**** A Farfetch tornou-se o site de luxo com mais visitantes no mundo, deixando o Net-A-Porter em segundo lugar. No Brasil, a plataforma registrou um faturamento de R$ 100 milhões em 2016, um aumento de 70% em relação ao ano anterior.

Com este resultado, o país ocupa a quinta posição atrás de EUA, Inglaterra, China e Rússia. “A meta este ano é conseguir o break-even e chegar a R$ 150 milhões de faturamento no país”, explica Daniel Funis, diretor da empresa no Brasil.

A estratégia da Farfetch para crescer é focar no consumidor de luxo ( antes era o comprador de moda), tanto com a oferta de produtos quanto com os serviços. Para tanto, a Farfetch ganhou musculatura com a vinda das lojas virtuais da Dolce& Gabbana, Versace, Fendi. Em abril foi a vez da Gucci.

“Unimos uma seleção cada vez mais completa de produtos com  uma entrega mais rápida e personalizada. O importante é  acompanhar o mindset do consumidor, ou seja, atendê-lo em diferentes momentos de compra.”

Como exemplo, Funis cita o F6. Um consumidor que vai viajar para Milão, digamos, pode comprar um vestido Versace, parcelar em até seis vezes com o valor da etiqueta convertido em reais (sem impostos ) e pegá-la na loja na cidade de destino.

“O cliente não corre o risco de chegar lá e não achar o que queria. Paga menos e ainda parcela. O Brasil foi pioneiro nesse sistema, mas outros países já estão aderindo. É uma tendência muito importante que chamamos de tourist shop. O F6 já é uma parte bem significativa de nosso faturamento no país.”

Há outros exemplos de conveniência. Em dez cidades do mundo, como São Paulo, a Farfetch faz entrega de produtos Gucci em até 90 minutos. “Temos vendido mais roupas que acessórios da marca pelo sistema.”

Quando fala em personalização, Funis se refere ainda ao suporte de vendas feito via whatsapp ou telefone. “Temos mais de 120 mil itens no nosso site. Mas como conhecemos nossos números a fundo, podemos fazer uma abordagem mais pessoal para algum cliente oferecendo a numeração que ele buscava ou um produto complementar.”

Quando o consumo é a manifestação de um desejo em qualquer plataforma ou tempo é luxo


Desde de 2015 que a Farfetch busca formas de integrar lojas físicas e virtuais por meio de seu laboratório de inovações. Há três semanas, a empresa apresentou um “pacote de soluções” do Store of the future.

Por meio de um app, um cliente com histórico de compras na Farfetch pode entrar numa loja cadastrada, ser automaticamente identificado e ter uma conversa muito mais “proveitosa e direcionada com a vendedora do que um simples tem ou não tem no estoque”.

Para quem não quem não gosta de interação, pode ir ao provador e diante do Magic Mirror ver a projeção de algum produto da sua wish list que entrou em promoção, por exemplo.

Ou o item que chamou a atenção na arara (porque o cidadão ficou mais tempo parado observando a peça e o sistema capta isso pelo movimento, via celular) ser apresentado em outras cores ou looks prontos. Encontrando a peça o consumidor pode fazer o pagamento pelo smartphone e só olhar para um ser humano para pegar a sacolinha.

“Isso é entender que o consumidor pode fazer a compra no ambiente que quiser, quando quiser, com muito mais satisfação, numa experiência completa. E como o tempo é o maior dos luxos, trabalhamos em linha com o que é escasso”, diz Daniel Funis, diretor da Farfetch no Brasil.

As soluções estão sendo testadas na loja física da empresa, a Browns, em Londres. Mas ainda este ano vão estar disponíveis para as 500 butiques da plataforma que quiserem aderir. “No Brasil  deve chegar até o segundo semestre de 2018 .” Hoje, a Farfetch tem 70 lojas brasileiras no seu portfólio. Hoje, 60% do público da plataforma estão fora de São Paulo.
 

 

***Estes posts foram originalmente publicados no Angela Klinke Report, em 04.05.2017, uma newsletter exclusiva para assinantes com análises e notícias exclusivas do mercado de luxo e lifestyle. Para se tornar um assinante entre em contato pelo angelaklinkereport@gmail.com