***Desde 2010, a americana Kohler, líder global na fabricação de louças, metais e gabinetes de luxo para cozinhas e banheiros, estudava a implantação de um “plano de negócio de longo prazo” no Brasil. O movimento efetivo teve início em 2014 com a compra da marca Fiori, com uma fábrica em Andradas (MG), e culminou com a abertura oficial da primeira loja conceito da marca no país ( em março).

A concept store, com projeto do arquiteto Maurício Queiroz,  teve investimento de R$ 3 milhões e demorou dez meses para ficar pronta. Pensado para estimular a experimentação, o espaço tem mais de 50 produtos prontos para serem testados, incluindo uma cozinha gourmet e um spa, que funcionarão mediante agendamento.

“Não temos pressa para ter lucro. Nosso principal objetivo agora é posicionar a marca da forma correta, deixando claro nosso diferencial, para em 10 a 15 anos ser top of mind no mercado. Viemos para ser líderes”, afirma Jimmy Chavéz Romero, diretor-presidente da Kohler no Brasil.

Só nessa primeira etapa já foram investidos US$ 100 milhões, sendo US$ 500 mil em estoque para garantir pronta entrega de boa parte dos 800 produtos importados que estarão em linha por aqui. Caso nova importação seja necessária, o prazo estimado é de 45 a 60 dias.

“No mundo temos mais de 25 mil produtos e 15 mil patentes, mas temos muita agilidade para criar e adaptar os produtos às necessidades do mercado local”, diz. No caso do Brasil, por exemplo, houve o cuidado de balancear a pressão mínima necessária em toda a linha de chuveiros para que entregassem a mesma experiência de banho que em outros países.

Mas as grandes apostas recaem sobre produtos de outras linhas, caso da banheira Sok, com funções de cromoterapia e efervescência da água (R$ 60 mil), da torneira Karbon totalmente articulável (R$ 10 mil a 15 mil) e da bacia sanitária eletrônica Numi (R$ 60 mil).

Entretanto, é a cuba White Haven, produzida com ferro fundido e acabamento em esmalte (R$ 11.778), que tem feito sucesso nesse início, com direito a fila de espera. Outra atração tem sido o assento eletrônico com aquecimento, jatos d’água higiênicos com controle de temperatura e pressão, ar quente e controle remoto, à venda por R$ 2.500. Quase metade do valor praticado pela concorrência.

No Nordeste, onde ainda não há revenda estabelecida, “mas há um potencial enorme”, acredita-se na boa saída da linha de cubas com toque artístico. “Brasileiro gosta de design e novidade. E temos muitas novidades para contribuir com o desenvolvimento do mercado.”

A expectativa é que o tíquete médio na loja varie de R$ 15 mil a R$ 40 mil com possibilidade de parcelamento em até dez vezes dependendo do valor. “Queremos trabalhar com projetos completos”, mas não apenas via arquitetos, que deverão representar 70% do faturamento neste ano.

“Já somos conhecidos pelos profissionais, que chegavam a trazer produtos na mala para clientes especiais (caso do chuveiro com caixa de som embutida). Agora precisamos estar mais próximos do consumidor final”, afirma Romero, que também está desenvolvendo a rede de distribuição e parceiros comerciais pelo país. Por enquanto apenas três lojas multimarcas em Sorocaba (SP), Ribeirão Preto (SP) e Curitiba (PR) possuem produtos Kohler. A chegada a home centers será deixada para um segundo momento.

Com a fábrica de Andradas dobrando de tamanho – de 23 mil m² para 50 mil m² –, toda a linha de cerâmicas sanitárias fornecida ao mercado local deverá ser produzida no Brasil, com possibilidade de também incluir a fabricação de banheiras “caso a aceitação seja boa” e da eletrônica embarcada em alguns dos assentos. “Vamos estudar isso no futuro. Nosso desafio constante é manter a sustentação da estratégia industrial.”

Por enquanto, 80% da base fabril ainda é voltada às linhas da marca Fiori, que entrou para o portfólio do grupo Kohler “para atender um público diferente”. A exportação não é um foco, mas alguns lotes já foram enviados ao mercado americano “para fazer um teste de qualidade” com resultado positivo.

Na área corporativa a empresa já sai com um contrato assinado com o hotel Hilton, que renovará cerca de 25% dos quartos com chuveiros da marca. “Foi uma boa surpresa. Estamos acostumados a pegar esse tipo de projeto antes das fundações.”

Fundada em 1873, em Wisconsin, a Kohler tem 52 fábricas em 16 países e faturamento global de US$6 bilhões.

***Este post foi originalmente publicado em 16.03 no Angela Klinke Report, newsletter com análises e informações exclusivas do mercado de luxo e lifestyle. Para saber como se tornar um assinantes escreva para angelaklinkereport@gmail.com