***Entre 2015 e 2016, o mercado de luxo cresceu 9% no país, segundo levantamento feito pela consultoria MCF/Abrael e a About People. Partiu de um faturamento de R$ 31,1 bi para R$ 33,9 bi.

“Considerando a variação cambial e a inflação no período, podemos dizer que praticamente não cresceu. A média nos anos anteriores superava os 20%”, diz Carlos Ferreirinha, presidente da MCF.

Para destrinchar o ano que passou, a pesquisa teve a adesão de CEOs e diretores de 94 empresas de diversos setores.

Entre os desafios de 2016 destacados pelos estrevistado, “pela primeira vez apareceu a conjuntura política e econômica” citada por 81% deles, seguida pela tributação elevada apontada por outros 65%. “A maior surpresa para estes executivos é a mudança de humor dos brasileiros. Eles estavam acostumados a planejar para um consumidor de espírito alegre à despeito das dificuldades. E não é mais assim.” A mudança de humor foi o terceiro fator mais lembrado por 39% dos participantes.

A pesquisa apresentada durante o Fórum “Os Pensadores do Luxo”, na última terça-feira, 8, em São Paulo, mostra que o setor se encontrou com a realidade. Até então, o senso comum era que o mercado de luxo era imune às variações de temperatura e pressão e que nada abalava a fúria de consumo dos locais.

58% dos entrevistados revelaram, por exemplo, que suas empresas cresceram entre 2105 e 2016, 15% permaneceram estáveis e 28% registraram retração. A média de funcionários caiu 8% de 2015 para 2016 e deve ser reduzida em 8% este ano.

Entre os terceirizados o corte é ainda mais drástico: -18% (2016/2015) e previsão de -26% (2017/2016). É só ver o desmonte das equipes de alguma grifes que optaram por deixar um gerente de loja na operação submetido a uma direção no México, Panamá ou Miami.

As empresas estão reavaliando suas operações, mas ainda assim seguem investindo. Os esforços vão se concentrar para 67% dos entrevistados em comunicação digital (sites, redes sociais, apps, blogs) e em estratégias de relacionamento e CRM para 59%. Do total, 43% vão se dedicar a expansão do público alvo (e a estratégia digital deve colaborar para isso) e 29% pretendem abrir lojas ou novas unidades de negócio.

Os clientes estão no “centro de tudo” este ano, mas como destacou Ferreirinha é impressionante como até hoje a maior parte das grifes não têm Instagram em português, a principal rede social do luxo no Brasil.

Cerca de 41% dos entrevistados têm e-commerce e acreditam que o cliente da loja física não é o mesmo da loja virtual. “Na verdade, acredito que ainda não tenham feito uma avaliação precisa sobre isso.” Ainda assim o canal se revelou o mais promissor em termos de expansão com 70% de crescimento, como antecipamos no Angela Klinke Report na edição de 3 de agosto.

Ainda diante das dificuldades, cerca de 63% dos participantes se revelaram entre neutros/ otimistas com o resultado de seus negócios em 2017.

Durante o Fórum, Ferreirinha ressaltou a necessidade de ir “onde o consumidor está”, daí a importância da iniciativa da Louis Vuitton de abrir “pop-ups” em Goiânia e Recife. Destacou a aproximação das grifes com novas linguagens (streetwear), chamou a atenção para a questão de gêneros e de novos públicos (millennials).

A pesquisa também investigou consumidores do luxo. E eles gastaram mais no mercado doméstico do que no exterior em 2016: em média R$ 71,8 mil no Brasil e R$ 47,9 mil em outros países. Não há no horizonte deles expectativa de ampliar os “investimentos” em compras. Em 33% dos casos vão manter a média do ano passado, 38% acham que vão reduzir o valor e só 28% vão gastar mais.

****Este post foi originalmente publicado no Angela Klinke Report, newsletter com análises e informações exclusivas do mercado de luxo e lifestyle. Para saber mais e se tornar um assinante escreva para angelaklinkereport@gmail.com