***De 21 de abril até início de agosto, a Tegra (ex-Brookfield) vendeu sete dos 15 apartamentos do empreendimento Curitiba 381, em São Paulo. As unidades custam a partir de R$ 9 milhões. “São quinze pavimentos, sendo que já do primeiro andar é possível avistar as copas das árvores do Parque do Ibirapuera. A vista, possibilitada pela localização, é o grande atrativo deste empreendimento”, diz João Mendes, diretor da Tegra.

Para ele, não fosse o episódio da delação da JBS que tornou o mercado mais cauteloso, o ritmo de vendas poderia ser ainda mais acelerado. Mesmo assim, acredita ser possível vender um apartamento por mês. “A velocidade nos surpreendeu e o processo de decisão de compra tem sido muito rápido.”

Entre os compradores, dois declararam que compra é para moradia. Os demais ainda não sabem o destino que darão ao imóvel. “Estes compradores são precavidos, enxergam o potencial do Curitiba. Trata-se de um metro quadrado de R$30 mil, um dos mais altos praticados na cidade.”

Mendes diz que foram feitas muitas pesquisas qualitativas com formadores de opinião para se definir o perfil do imóvel. A começar pelo tamanho. Deveriam dividir a área dos apartamentos? Não, o desejo foi por muito espaço. As unidades têm 332 m² e a cobertura duplex 591 m².  A assinatura de um arquiteto-celebridade ou um acervo de obras de artes no lobby, por sua vez, não se destacaram entre os atributos exigidos.

“A segurança, claro, era uma das questões principais. Tivemos que criar um mapa de circulação completamente diferente, com restrições de acesso a várias áreas”, conta. “Outro ponto de destaque foi com relação à garagem. Como todos têm carros de luxo, queriam uma iluminação especial, que o piso fosse de epóxi e que as rampas de acesso tivessem uma inclinação menor. Estes veículos costumam ser mais baixos.”

A média de idade dos compradores é de 50 anos. Talvez isso explique o desinteresse por conectividade e espaços de convivência, como nos lançamentos recentes focados em millennials. “Eles querem soluções particulares de automação para seus apartamentos e não se preocupam muito com a estrutura de lazer. Em geral, têm casa de veraneio e não passam os fins de semana na cidade.”

Evidente que é preciso ter revestimentos de fino trato e pedras vulcânicas na piscina. Mas isso é o básico. “Os demais edifícios da rua seguem o padrão da arquitetura neoclássica. O nosso tem uma linguagem moderna, mais clean. Fizemos o guarda-corpo de vidro para dar a sensação de vista infinita e trazer o parque para dentro do apartamento.”

Entre os compradores, há empresários, médicos e advogados. O plano prevê que 50% do valor seja pago na entrega das chaves daqui a 32 meses. “Nenhum deles até agora vai recorrer a financiamento. Vão quitar na entrega das chaves. E um comprador em especial já pagou a vista.”

Ah, claro. Nenhum deles se interessou pelo valor do condomínio. Só por curiosidade, então: deve ficar em torno de R$ 15 mil.

 

***Este post foi originalmente publicado no Angela Klinke Report, newsletter com análises e informações exclusivas sobre o mercado de luxo e lifestyle. Para saber mais e fazer sua assinatura entre em contato no angelaklinkereport@gmail.com