***“Não há uma nova China se aproximando”, alertam os autores do estudo sobre as perspectivas para o mercado de bens pessoais de luxo lançado pela Bain & Co e antecipado na edição de 29.05 deste Report. As marcas terão de ser impecáveis em suas operações para alcançar crescimento de um dígito. E olhe lá.

Mas como ser primoroso em cenários que mudam constantemente? No último trimestre, por exemplo, a Hermès registrou um aumento de vendas de 14%, com bom desempenho em todas as regiões e em praticamente todas as categorias de produto.

O vice-presidente de vendas e distribuição da grife francesa, Florian Craen, disse que há um desejo dos consumidores de seguir em frente em meio à instabilidade política e econômica, variações no câmbio e ataques terroristas. “Mas isso não é uma ciência exata, depende de confiança. Não sabemos se vamos repetir o mesmo resultado durante o ano.”

Um dos principais focos das empresas para alcançar o crescimento __ previsto pela Bain em até 4% este ano__ deveria  ser a estruturação do canal online. Não mais só como uma opção de conveniência, mas como um fator decisivo de sobrevivência e de manutenção das lojas físicas. Afinal, há as trajetórias de compra se sobrepõem e acabam por se fundir numa só.

Nesse sentido, a expectativa com o 24 Sèvres, a multimarcas do grupo LVMH que está sendo tratada como uma digitalização da loja de departamentos Le Bon Marché, é imensa. Em especial depois dos equívocos da primeira plataforma do grupo, o eLuxury.com, em 2009.

Hoje, as marcas do grupo têm autonomia para lançar suas operações online. No 24 Sèvres só 30 das 150 marcas oferecidas serão da LVMH.

Mas na medida em que a cada momento os cenários mudam, é preciso velocidade na implantação destas operações digitais.  Muitas marcas optaram por plataformas como a Farfetech para atender países em que ainda não têm musculatura, como no Brasil.

O grupo Richemont planeja lançar loja virtual de algumas de suas marcas no Brasil ainda este ano. Mas a Hermès, que abriu sua terceira loja no país , no shopping Iguatemi, em São Paulo, promete uma operação online por aqui só para daqui a dois anos. A empresa monta estratégias de longo prazo, mas o cliente vai esperar?

O estudo da Bain destaca a importância para as marcas de se ter um “estado de espírito millennial”, ou seja, uma sintonia com a forma de interação dos jovens independente de gerações. E, nesse sentido, ter um e-commerce é tão básico que parece coisa do século passado. Mesmo para o Brasil.

***este post foi originalmente publicado no Angela Klinke Report, newsletter com análises e informações exclusivas sobre o mercado de luxo e lifestyle. Para saber mais e se tornar nosso assinante, escreva para angelaklinkereport@gmail.com