O bureau de tendências britânico Trendwatching alerta: na era da transparência radical a cultura interna é uma interface com o consumidor, portanto não só passa a fazer parte da sua marca, como se torna seu atributo mais importante. No passado as empresas eram caixas pretas em que os consumidores só tinham acesso ao que lhe era mostrado. Agora elas se transformaram em “caixas de vidro”.

Assim histórias como da Starbucks que abriu uma loja em Kuala Lumpur dedicada a contratar somente pessoas com deficiência auditiva tornam-se poderosas. O perigo são as responsabilidades que as marcas assumem a partir daí.

“Estamos acostumados com a ideia de que os consumidores se importam sobre como as marcas tratam trabalhadores vulneráveis nas economias emergentes. Mas a insegurança crescente sobre a automação de trabalho, aumentando desigualdade em muitos países e as rupturas no tecido social causadas pela globalização são motivos para que milhões passem a se preocupar com o bem social mais amplo”, diz o estudo.

Assim, estes consumidores estão procurando marcas que façam sua parte “minimizando impactos negativos e construindo um futuro melhor. E eles sabem que isso começa com uma cultura interna que prioriza a ética e a sustentabilidade.”

A questão que as empresas deveriam fazer diante da realidade da “caixa de vidro” é: elas são tão boas que mesmo que o consumidor veja suas imperfeições e aspectos desagradáveis ainda assim permaneceriam fieis?

Mas como nenhuma cultura interna é perfeita, nem mesmo estática, a sugestão dos pesquisadores é que as empresas comecem as mudanças positivas e contem as conquistas desta jornada. “O consumidor não espera que você seja perfeito. Mas ele espera vê-lo se movendo na direção certa.”

A Ikea na Índia, por exemplo, atualizou suas práticas e passou a oferecer seis meses de licença remunerada para os funcionários que se tornarem pais. Além disso, as mães podem reduzir a carga horária em 50% em mais 16 semanas.

O Carrefour na Polônia, por sua vez, lançou uniformes para os funcionários feitos com um tecido inteligente que elimina vírus e bactérias, o que promove maior segurança e saúde no ambiente de trabalho.

No Brasil o estudo destaca a iniciativa da Renner que criou postos de recolhimento de roupas usadas em suas lojas. As peças são encaminhadas a instituições ou transformadas em fibras para criarem novos materiais ou em produtos. A companhia treina seu staff para dar conta do processo.

O importante ao começar esse processo para “caixa de vidro” é que “qualquer departamento é um departamento de marketing”. Portanto, cada time precisa ser “empoderado” para poder contar ao mundo sua história positiva de mudança.

***esse post foi originalmente publicado no Angela Klinke REport, newsletter do mercado de luxo e lifestyle distribuída para assinantes. Para saber mais escreva para angelaklinkereport@gmail.com