A consultoria Bain & Co afirma que o luxo está na moda novamente ou ainda que recuperou seu brilho ao apresentar um crescimento de 5% este ano, chegando a 1,2 trilhão de euros. Deste total, carros de luxo representaram 489 bilhões com crescimento de 6%.

Os bens pessoais de luxo, por sua vez, alcançaram 262 bilhões de euros em função da retomada dos consumidores chineses com aumento de 15%, tanto no mercado doméstico quanto no exterior, onde já respondem por 32% das compras. A Europa também teve um desempenho favorável com 6%. As Américas apresentaram um dos piores resultados, mas mesmo assim chegaram 2% ( destaque para México e Canadá. O Brasil nem é citado no levantamento.)

“Bain espera que este crescimento positivo continue com uma taxa de crescimento anual de 4 a 5% nos próximos 3 anos, com o mercado de bens de luxo pessoal atingindo € 295-305 bilhões até 2020.”

A indústria está polarizada entre as empresas que estão indo muito bem, como a Gucci, e as que estão enfrentando queda nas vendas. Mesmo assim 65% das companhias registraram crescimento este ano, contra 50% do ano passado.

Os níveis de rentabilidade, destaca o levantamento, continuam elevados (cerca de 19% dos lucros operacionais em 2017). No entanto, “o fenômeno de polarização é ainda mais distorcido para a rentabilidade do que para o crescimento da receita: entre as marcas vencedoras em 2017, apenas um terço também conseguiu aumentar seus lucros.” O crescimento se deu mais por um aumento no volume do que no aumento dos preços.

O estudo feito em parceria com Fundação Altagamma mostra um crescimento 27% das vendas no canal online. Metade deste resultado vem dos Estados Unidos, o equivalente a 23 bilhões de euros, mas Europa e Ásia tiveram um bom desempenho também. A categoria de acessórios foi a que mais cresceu neste ambiente, mas há o despertar do setor de joalheria e relógios para o e-commerce, assim como beleza.

Os sites próprios já representam globalmente 31% das vendas. No Brasil, por exemplo, a Montblanc acaba de lançar sua loja virtual com expectativa que represente 10% das vendas até o fim de 2018.

Até 2025, diz o estudo, a plataforma on-line deverá representar 25% do resultado global. Nesta projeção, as lojas de departamento que hoje respondem por 21% das vendas, ficarão só com 9%; as lojas especializadas vão reduzir sua fatia de 22% para 12% e as monomarcas de 30% para 25%. Só os canais de aeroporto e off-price devem ficar estáveis.

O crescimento das vendas nas lojas físicas foi de 8%, sendo 3% em função de abertura de novas unidades e 5% na base já existente. Para se ter uma ideia, em 2012 foram abertas 1000 monomarcas. Este ano foram contabilizadas 350 nova boutiques. O atacado ficou em 3%, em função do mal desempenho das lojas de departamento.

O maior destaque é para o entendimento das empresas de luxo para o “pensamento millennial” e suas especificidades que inspiram as demais gerações, as experiências e o gerenciamento do networking.

“É um momento interessante no mundo do luxo: o espírito millennial mudou a forma como as compras são feitas através de gerações e empurrou marcas de luxo para redefinir o que eles entregam aos clientes”, disse Cláudia D’Arpizio, co-autora do estudo. “Para as marcas que conseguem obter essa conexão, há um crescimento potencial significativo no mercado de bens de luxo pessoais nos próximos anos.”Para se medir este impacto, o estudo mostrou que  85% do crescimento de luxo em 2017 alimentado pelas gerações Y e Z.

“As marcas de luxo estão reinterpretando streetwear na tentativa de atrair consumidores mais jovens, com t-shirts, tênis e jaquetas entre as categorias destacadas.”

Esta é um momento pós-aspiracional, diz o estudo, em que há uma diluição das fronteiras da categorização tradicional do setor como acessível, aspiracional e absoluto.  Saímos do luxo como um código de pertencimento da elite, de fazer parte de um grupo que compartilhava um status, para uma expressão da individualidade, do ser, de integração em um grupo que tem os mesmos valores. “Singularidade é a essência do luxo moderno assim como as opiniões se transformaram no combustível de aspiração.”

Os consumidores não querem mais ouvir histórias das marcas, mas vivenciá-las como forma de auto-expressão, paixão, significado e experiência. Do monólogo para o diálogo, da impressão para a imersão. Do templo para o lar.

 

Veja o desempenho por categoria:

 

Bens pessoais ( vestuário, joalheria, acessórios): + 5% (262 bi de euros)

Carros: + 6% (489 bi de euros)

Hospitalidade: + 4% ( 191 bi de euros)

Vinhos e bebidas: + 6 % (70 bi de euros)

Alimentos: + 6% ( 49 bi de euros)

Arte: + 1% ( 40 bi de euros)

Design: +4% (35 bi de euros)

Cruzeiros: + 14% ( 2 bi de euros)

Jatos e iates: – 2% ( 23 bi de euros)

 

*Este post foi originalmente publicado no AK Report, newsletter com análises e notícias exclusivas do mercado de luxo e lifestyle. Para saber mais e se tornar um assinante escreva para angelaklinkereport@gmail.com