Com 23 hectares plantados com pés de cafés – quase metade do espaço dedicado às videiras –, era natural que a vinícola Guaspari, em algum momento, lançasse também sua própria marca de cafés especiais.

Apresentado ao mercado no fim de setembro o primeiro blend, composto por grãos 100% arábica das variedades obatã, catuaí vermelho e novo mundo, representa entre 10% e 20% das 600 sacas colhidas na fazenda localizada nas terras altas de Espírito Santo do Pinhal.

Mas a expectativa é que essa porcentagem se inverta rapidamente, deixando de lado o mercado de commodities para se dedicar apenas ao varejo gourmet. “Por meio de inovação e tecnologia a gente vai brincando, estudando, testando. O melhor investimento que a família nos dá é tempo para descobrir o que dá certo e o que não”, afirma Otávio Fores, agrônomo responsável pela produção.

No roll de “brincadeiras” estão cafés plantados em estufa e fermentados com mosto de Chardonnay, a delimitação de microterroirs, a introdução de novas variedades e outros pontos de torra. “Estamos entendendo o que temos e o público.”

O lote de estreia chega com grãos em torra média, que serão comercializados na loja e no site da vinícola em pacotes de 250 g ($ 35) e 500 g (já moído, R$ 42). Por enquanto, não há planos para expandir a área de venda. Até porque a loja própria já responde sozinha por quase 50% de todo o faturamento de vinho, mesmo com 150 pontos de venda espalhados pelo Brasil.

“As pessoas gostam de ir na fazenda, ainda mais agora que estamos com a casa pronta”, diz Fabrizia Zucherato, diretora executiva da vinícola, referindo-se à área de 542 m² recém-construída para receber grupos de 10 a 25 pessoas para eventos e degustações.

A fazenda também tem produção de azeite e prepara para o ano que vem o lançamento de suas macadâmias temperadas. “São produtos que conversam com o mesmo público.”