A 46a edição da São Paulo Fashion Week tem início neste domingo (21.10), com desfile de Lilly Sarti no Farol Santander, no Centro de São Paulo. O lugar dividirá as atenções da programação com o espaço ARCA, um antigo galpão industrial de nove mil metros quadrados e 17 metros de pé direito, onde funcionava uma metalúrgica da Votorantim, na Vila Leopoldina, zona Oeste da cidade.


“O prédio da Bienal cumpriu sua função. Estamos iniciando um novo ciclo, que pede mudanças para repensar a moda, a cidade, a economia criativa. O novo SPFW será uma caixa sem paredes ou portas para que as energias circulem”, diz Paulo Borges, idealizador e diretor criativo do evento.

Com contrato com a ARCA pelos próximos três anos, o SPFW terá estrutura semelhante à de festivais, com ingressos vendidos para que o público possa ver de perto desfiles de estilistas selecionados para o projeto Estufa, workshops, exposições e palestras. Além, claro, do lineup de desfiles principais. Estes abertos apenas a convidados das marcas. Ente elas Osklen, João Pimenta, Amir Slama, Ronaldo Fraga, Gloria Coelho e Lino Villaentura. Bobstore, Piet (de Pedro Andrade), Torinno (de Luis Fiod) e Cacete Company (dos mineiros Raphael Ribeiro e Tiago Carvalho fazem sua estreia.

“A moda tem que ser o principal ponto focal”, lembra Alan Adler, presidente do grupo IMM Esporte e Entretenimento, empresa responsável pelos eventos Taste, Rio Open e Cirque du Soleil, que desde abril agregou o SPFW ao seu portfólio. A fusão ainda não está completa – “até novembro devemos estar trabalhando no mesmo local” – , mas a equipe de Borges já pode contar com reforço nas equipes de marketing e comercial. O que ajudou a trazer novos parceiros como o Banco Santander e a Jeep.

Pela primeira vez, patrocinadores diretamente relacionados ao setor, como as indústrias de beleza, não estarão presentes. “Esperamos até julho para ver se Natura entraria, mas a empresa quando está se reorganizando precisa se recolher. É preciso respeitar”, diz Paulo Borges. O valor das cotas não foi divulgado, assim como a verba alocada para colocar o evento em pé. “Estamos investindo um pouco mais do que no primeiro semestre, realocando mais dinheiro para tecnologia, por exemplo, mas sem sair do budget anual de antes”, garante Borges.

Também reflexo dos tempos de mudança e busca por novos caminhos que cada empresa passa no momento, Paulo preferiu deixar em aberto as regras para as coleções que serão apresentadas. “Deixamos livre o tema para que cada em pudesse trabalhar a melhor estratégia para o seu público. Está todo mundo repensando e se reinventando. Os desfiles não têm mais o mesmo papel dos anos 70, que era para o comprador tirar o pedido. Desfile agora é conteúdo.”

A programação, que ainda conta com instalações provocativas e irreverentes de 17 artistas contemporâneos curados pela cineasta e cenógrafa Daniela Thomas no projeto Estufa, vai até 26. “Este é um projeto que pode ganhar um formato mais robusto se o público aderir, mas não temos nada fechado. O importante é não perder oportunidades.”