A Aspen Skiing Company, responsável pelos resorts de inverno Aspen e Snowmass, nos Estados Unidos, decidiu se posicionar frente a situação política do país em que atua e focar suas campanhas de marketing em valores e assuntos importantes que estão sendo ameaçados pela atual gestão, como as mudanças climáticas. “Não é só se importar ou criticar o presidente ou o senador. Você tem que trazer o assunto para a frente do debate e fazer alguma coisa”, afirma Alinio Azevedo, COO do grupo.

Para ajudar nessa tomada de ação, a empresa acaba de investir US$ 1,5 milhão na campanha “Give a Flake”, um trocadilho com “give a fuck” (nem ligar), que cria canais de comunicação entre as pessoas e os políticos para cobrar atenção às questões ambientais e relativas ao aquecimento global.

Na plataforma digital é possível conhecer os representantes de cada região e seus posicionamentos em relação a esses assuntos e, com apenas um clique, mandar uma mensagem ao Twitter ou telefone dele apoiando ou cobrando uma atitude. Também há canais que facilitam postagens nas redes sociais incentivando a campanha, doações para grupos que apoiam a causa e acesso a informações extras sobre a importância do tema.

Marcada para dezembro, a abertura do hotel Limelight, em Snowmass,é uma das novidades do grupo para a próxima temporada de inverno.

No meio impresso, cartões com mensagens direcionadas a três senadores republicanos, que na visão da empresa podem estar mais favoráveis a mudar seus votos em relação ao tema, foram encartados nas revistas do trade de turismo para que os leitores possam destacar, assinar e mandar pelo correio, sem custo de frete.

“A ideia é que esses caras sejam inundados de mensagens pedindo mais atenção ao meio ambiente. Foi a forma que encontramos de conectar nossos clientes ao establishment político do país para que ser tome, de fato, uma atitude.”

O principal foco da campanha, que também já gerou alguns haters ao grupo – é o público jovem, de 25 a 35 anos, “uma geração mais politizada, engajada, aberta a entender a importância das mudanças climáticas e que pode vir a se tornar nosso cliente”. Atualmente, os resorts do grupo recebem prioritariamente esquiadores de 45 a 55, vindos dos próprios Estados Unidos, Austrália e Brasil. Mas, segundo Azevedo, o mercado como um todo está “estagnado há anos em 50 milhões de esquiadores por dia. A indústria está tentando entender como crescer e atrair mais jovens.”

Trabalhar com valores caros a essa geração pode ser um caminho, ainda que signifique lidar com perdas pelo caminho. “Já tivemos várias críticas e pessoas que disseram que não vai mais esquiar aqui. Mas preferimos correr o risco e ser uma empresa diferenciada do que ser uma empresa medíocre em valores.”

Em um segundo momento, a campanha abordará temas como tolerância e direitos LGBTS. Esta não é a primeira vez que o grupo hasteia sua bandeira por causas sociais. No ano passado o foco foi união e amor – voltada à igualdade das relações independente de gênero – e respeito aos imigrantes.