Há cinco anos, quando Maurício Leme assumiu a marca de single maltes Macallan na importadora Aurora, a operação no Brasil “era menor que a da República Dominicana”. Praticamente inexistente frente o potencial da região. Foi preciso um trabalho de formiguinha e corpo a corpo em degustações assistidas para finalmente entrar numa espiral de crescimento que nos últimos dois anos vem batendo a casa dos três dígitos. Resultado que, mesmo com “o impacto psicológico gerado pela instabilidade política, que represa o consumo temporariamente”, deve voltar a se repetir até o fim de 2019.

“Como a base está cada vez maior o trabalho também fica mais fácil. Você começa a ganhar clientes de todo os lados”, diz o brand manager. Junte-se a isso a reestruturação do portfólio internacional, que simplificou a comunicação. A linha Macallan 1824 Series, que tinha rótulos baseados na cor da bebida – Amber, Ruby e Sienna – foi descontinuada, dando lugar às linhas Double e Triple Cask. “Houve uma correria atrás do Ruby, que era o top da linha (vendido a R$ 2,1 mil), fim do ano passado. Já o estoque do Amber (R$ 500) e do Sienna (R$ 990) só devem durar mais um mês.”

E a chegada de um rótulo de entrada mais acessível, o Triple Cask 12 anos, comercializado a R$ 315. “Esta foi a principal mudança, porque nos permitiu começar a recrutar novos consumidores para o single malt, que é um mundo muito diferente do blended whisky.” Há pouco mais de um ano no Brasil, o rótulo já representa mais de 50% do volume de vendas da marca.

Ao contrário do que acontece com as marcas de blended whisky, os principais mercados se concentram em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, e não no Nordeste, onde a venda ainda é pontual.

Hoje, com a operação fortalecida, flutuando entre a segunda e a terceira posição no ranking latino-americano de melhor mercado da destilaria escocesa, liderado pelo México, Leme acredita que dê para lutar melhor pela vinda de mais garrafas de edições especiais lançadas regularmente pela empresa. “Esses produtos têm venda garantida.” As últimas a desembarcar por aqui foram a The Macallan Reflexion, da linha Masters Decanter Series, cujas 18 garrafas de R$ 12 mil, evaporaram em setembro, e a Edition No 3, vendidas no mesmo ritmo e mês. A próxima, ainda sem data, será a Edition No 4. “Espero dobrar a quantidade alocada para o Brasil, mas ainda não sei qual o nosso teto.”

Até lá, uma certeza: a chegada, ainda no início do ano, de novos rótulos das linhas Triple e Double Cask para reforçar a gama de opções.